Capivaras podem desaparecer da Lagoa da Pampulha

Pessoas que costumam andar de bicicleta, caminhar, correr na orla da Lagoa da Pampulha em Belo Horizonte tentam tirar essa foto sempre que veem um grupo de capivaras. Porém, de acordo com a Câmara Municipal de Belo Horizonte, eles podem desaparecer até 2027.

De acordo com a PBH, todas passaram pelo processo de esterilização e são monitoradas desde 2017. Sem condições de se reproduzirem e com uma expectativa de vida máxima de dez anos, as capivaras podem ser extintas, naturalmente, da orla da lagoa.

“Até hoje não foi constada reprodução, nem a chegada de nenhum novo bando. Como a capivara tem uma expectativa de vida, sem predador, de entorno de oito a dez anos, a gente considera que nesse espaço de tempo possa haver uma extinção local, ou seja, não haver capivaras na Lagoa da Pampulha se não chegar nenhuma nova. A espécie, no entanto, não está em extinção, porque há uma superpopulação dela”, explica o gerente de Defesa dos Animais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte, Leonardo Maciel.

Em 2019, um censo realizado pela PBH constatou que a orla da Lagoa da Pampulha abriga cerca de 70 capivaras, dentre adultas e filhotes. Além de serem esterilizadas, todas passaram pelo processo de aplicação de antibióticos. Para identificar os animais que foram tratados, as capivaras tem a ponta de uma das orelhas cortadas. Dessa forma, qualquer novo animal que chegue à Pampulha é notado apenas por ser visto. O monitoramento é constante e feito por funcionários da PBH e drones. Trabalho que não foi interrompido mesmo durante a pandemia.

“O benefício é que sem o nascimento de filhotes, não há o nascimento de bactérias causadoras da febre maculosa. Essas bactérias se reproduzem no filhotinho. Com o passar do tempo a tendência é considerar a lagoa controlada para febre maculosa. A grande questão é que, como a lagoa é um espaço aberto, fazendo divisa com nove afluentes que chegam para abastecer a lagoa, o monitoramento é contínuo para evitar que outras capivaras cheguem pelos rios, se reproduzam e com a reprodução haja o nascimento de outras bactérias causadoras da febra maculosa”, disse Maciel.

Diariamente, o técnico experimental Ricardo Oliveira, 52, faz caminhadas pela orla da Lagoa da Pampulha e tem notado que de um ano para cá as capivaras que costumavam repousar as margens da lagoa tem aparecido com menor frequência. “Elas estão sumidas mesmo. Tinha dia que a gente passava por aqui e via muitas delas em grupo, deitadas. De vez em quando a gente vê, mas não é com tanta frequência igual antes”, explica.

Ele diz que a ausência desses animais na orla traz benefícios. “Eu não gosto das capivaras. Uma vez uma avançou e mordeu o rabo do meu cachorro. Ela chegou perto dele e mordeu, tem um ano já, tem um carocinho até hoje”, relata.

O engenheiro eletricista Marcelo Suman, 36, também diz ter percebido a ausência das capivaras na orla da lagoa, mas defende que os animais permaneçam no local. “Eu acho que é preciso deixar os animais a vontade. Nós já ocupamos a cidade inteira. É preciso ter cuidado, no caso da capivara por conta do carrapato, mas a culpa não é do animal, nós que ocupamos o espaço”, pontua.

Jacarés

O mesmo Censo feito pela PBH em 2019 constatou que a orla da Lagoa da Pampulha também abriga pelo menos 17 jacarés-de-papo-amarelo. Apesar de a aparência deles gerar um certo temor a quem passa pelo local, o estudo apontou que a presença desses animais é importante para o controle de doenças.

“O que acontece é que quando se fala em jacaré as pessoas confundem com aquele crocodilo africano e não tem nada a ver. É uma espécie com abertura de boca muito pequena, se alimentam de pequenas aves e daqueles caramujos invasores que tem na lagoa. Graças a eles, não tivemos um equilíbrio ecológico gigante por conta da invasão desses caramujos. É uma espécie que não ataca o humano, a não ser que a pessoa tente pegar o jacaré”, explicou Leonardo Maciel.

Segundo a PBH, a reprodução dos jacarés é lenta e mesmo os filhotes não sobrevivem com a presença de predadores na Lagoa da Pampulha. Com isso, a população desses animais não tem aumentado. Os pontos de reprodução também são monitorados pela prefeitura.

“Os ninhos são atacados por outros predadores, como os lagartos teiús que comem praticamente todos os ovos de jacaré. Quando nascem é um número pequeno. O ultimo nascimento nos verificamos apenas seis filhotes. Mas garças, gaviões e urubus também comem os filhotes. Então é muito difícil eles atingirem a fase adulta”, afirmou Maciel.

Via: O Tempo