Qualidade da água da Lagoa da Pampulha melhora e amplia possibilidades de uso no futuro

Após um período de interrupção no tratamento da qualidade da água da Lagoa da Pampulha, os trabalhos no cartão postal foram retomados e o espelho d’água voltou a dar sinais de melhora. Os resultados da análise na água ficarão prontos  no fim deste mês, mas a prefeitura já comemora a melhora visível do local. Se confirmada a permanência na classe 3 – parâmetro de qualidade definido pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) -, o local pode permitir a navegabilidade no futuro. 

América Fun Fest 2019

“A nossa prioridade é que a lagoa deixe de ser um incômodo para a população como era no ano de 2015, quando eram retirados caminhões de peixes mortos da lagoa, algas e o cheiro era insuportável. Agora está se tornando um local aprazível, não há mais a mortandade de peixes e a quantidade de algas que havia antes”, explica o diretor de Gestão de Águas Urbanas da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, Ricardo Aroeira. 

O trabalho de tratamento com tecnologia aplicada na lagoa teve início em 2016, após a contratação de um consórcio por meio de licitação, o Pampulha Viva, e durou de março daquele ano até março de 2018. Após isso, alguns entraves na negociação para renovação do contrato impediram a continuidade dos trabalhos por seis meses. O tratamento foi retomado em outubro de 2018, após nova negociação com o mesmo consórcio, e vale por um ano, com possibilidade de renovação em até 60 meses. 

Visitantes podem fazer piquenique na Casa Kubitschek, na Lagoa da Pampulha

“No intervalo de seis meses sem os serviços de tratamento houve uma queda na qualidade, mas rapidamente a lagoa reagiu e hoje já está muito resiliente”, comemora Aroeira.   

Em janeiro deste ano a qualidade da água da Lagoa da Pampulha chegou à classe 3, critério definido pelo Conama. De acordo com a definição do órgão, ao chegar a este patamar, a água poderia ser utilizada para navegação e paisagística. 

Os resultados que serão apresentados no fim deste mês indicarão se a água permanece neste patamar de qualidade. No entanto, a possibilidade de navegação no espelho d’água, que remete ao início da história da lagoa, ou até mesmo a ideia de se praticar esportes náuticos no local, não são prioridades para a administração municipal. 

“A possibilidade de se praticar esportes náuticos ali pode ser avaliada no futuro, mas não é a prioridade desta gestão. A gente quer uma lagoa que não tenha mau cheiro, que não represente risco à saúde em um contato eventual, que possa ser apreciada pela população, um lazer contemplativo, que não coloque em risco o título [de Patrimônio da Humanidade] que conquistamos junto à Unesco. É este objetivo que queremos alcançar e que, felizmente, estamos alcançando”, conclui Aroeira. 

Resultados

Os parâmetros para classificar a qualidade da água definidos pelo Conama incluem a presença de fósforo, clorofila, cianobactérias, coliformes termotolerantes e Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO). Segundo a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, destes, os índices relacionados à clorofila, cianobactérias e DBO foram os que obtiveram sucesso na avaliação da Lagoa da Pampulha.  

Tratamento

O tratamento pelo qual a lagoa é submetido inclui a aplicação de dois remediadores: um deles tem a função de degradar o excesso de matéria orgânica (DBO) e reduzir a presença de coliformes fecais e o outro é capaz de promover a redução do fósforo e controlar a floração de algas. 

Dessa forma, está sendo viabilizada a recuperação da qualidade das águas da Lagoa da Pampulha, com a inibição do processo de eutrofização e o reequilíbrio do ambiente aquático, com o objetivo de livrar a água da proliferação de algas e com maior concentração de oxigênio.   

Investimento

No contrato vigente com o consórcio Pampulha Viva, que tem duração de um ano, estão sendo investidos R$ 16 milhões. 

É proibido nadar

Mesmo que a água da Lagoa da Pampulha alcance elevados patamares de descontaminação, nadar ali nunca será possível, conforme esclarece Aroeira. “Visualmente a lagoa está muito bem, mas as placas de ‘proibido nadar’ vão permanecer, não é permitida a entrada na água, trata-se de um lago urbano”, explica. 

Isso porque um dos principais fatores para a poluição no local é o lixo jogado na bacia hidrográfica e da lagoa, proveniente do esgoto despejado ali.

A Bacia Hidrográfica da Pampulha tem uma área de 97 Km² e uma população de 500 mil habitantes no total, sendo 55% moradores do município de Contagem-MG e, 45%, de Belo Horizonte. A bacia é composta por oito cursos d’água, sendo eles os córregos Mergulhão, Tijuco, Ressaca, Sarandi, Água Funda, Braúna, Olhos D’água e AABB.  

Segundo a prefeitura, a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) retira aproximadamente 10 toneladas de lixo flutuante por dia. Em outubro do ano passado, o órgão iniciou uma nova fase do desassoreamento da Lagoa e a expectativa é que até 2022 sejam retirados 520 mil metros cúbicos de sedimentos. O investimento aplicado nesta operação é de R$ 33 milhões.

Via: hojeemdia