‘Novo’ Mineirão criou problema de falta de vagas de estacionamento no entorno, dizem comerciantes

Implantação de faixas exclusivas do BRT/Move e a eliminação do estacionamento do estádio causaram impacto; comerciantes apontam também benefícios após a reforma do estádio para a Copa do Mundo de 2014.

O novo estádio Governador Magalhães Pinto, conhecido como Mineirão, em Belo Horizonte, criou um problema de falta de vagas de estacionamento no entorno. Apesar do transtorno, alguns comerciantes vêm benefícios após algumas mudanças.

O “Gigante da Pampulha” foi reformado para a Copa do Mundo de 2014 e ganhou uma infraestrutura nova. O antigo estacionamento dentro do estádio deu lugar à Esplanada do Mineirão, local de shows e eventos culturais e esportivos.

O Mineirão fica ao lado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e parte das laterais do estádio está ocupada com a mata da universidade e outros terrenos. O comércio é concentrado na Avenida Abraão Caran.

O entorno do Mineirão sofreu alterações com as obras do Copa do Mundo. O Bus Rapid Transit (BRT), que em Belo Horizonte ganhou o nome de Move, alterou o trânsito em avenidas com a criação de faixas exclusivas. A intenção do projeto era ampliar o uso do transporte coletivo.

Avenida Abraão Caran, ao lado do Mineirão, na Pampulha; via é concentração de comércio no entorno do estádio (Foto: Marcella Gasparete/G1) Avenida Abraão Caran, ao lado do Mineirão, na Pampulha; via é concentração de comércio no entorno do estádio (Foto: Marcella Gasparete/G1)

Avenida Abraão Caran, ao lado do Mineirão, na Pampulha; via é concentração de comércio no entorno do estádio (Foto: Marcella Gasparete/G1)

Comerciantes da região disseram ao G1 que a falta de vagas de estacionamento com as alterações de trânsito e a implantação das faixas exclusivas do Move fizeram o movimento cair.

“A prefeitura avacalhou com os comerciantes aqui, porque tem poucos lugares para as pessoas estacionarem agora. Antigamente, parava aqui, parava lá, parava do outro lado. Isso ajudava muito os comerciantes, mas hoje não tem mais isso, caiu o movimento drasticamente. Agora, eles fizeram essa faixa de ônibus e não tem quase nenhum lugar para parar”, disse Adriano Abreu Alves, gerente de uma lanchonete de açaí.

A proprietária de um petshop compartilha da mesma opinião. “Piorou por causa do estacionamento. Encheram de regrinhas aqui que antes não existia, piorou para todo mundo. Antigamente podia estacionar ali no canteiro central. Dia de jogo podia estacionar na rua, agora não pode mais, e as pessoas acabam não vindo muito para essa área. Dia de jogo eu posso ficar com a loja fechada porque não tem ninguém. A gente perdeu muito”, disse Bruna Calab.

Já a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) aponta que em janeiro de 2017, por decisão do prefeito Alexandre Kalil (PHS), foram liberados lugares para estacionar no entorno do estádio em dias de jogos.

A empresa ainda esclarece que o comércio realmente é impactado pela falta de vagas no trecho entre a rua Rebelo Horta e a Avenida das Palmeiras. Entretanto, as outras partes da Avenida Antônio Abrahão Caram estão liberadas.

“As pessoas que trabalham na região, quando não há jogo, estacionam normal e em qualquer lugar, afinal há muitas vagas. Mas no dia de jogos elas acabam ocupando outras vagas para não cometerem infração. Ou seja, elas deixam na Abrahão Caram e aí, o comércio pode ficar um pouco chateado. Lembrando, ali do lado tem uma entrada da UFMG [Universidade Federal de Minas Gerais], ou seja, mais gente para estacionar”, disse em nota a BHTrans.

Segundo a assessoria do Mineirão, o número de vagas no estacionamento do estádio, incluindo as do Ginásio Mineirinho, que pertence ao complexo, chegam a 4.284.

Melhorou

Apesar da reclamação, alguns dos comerciantes apontam benefícios com o novo Mineirão. Um deles é o uso da Esplanada para shows. Desde 2014, o local recebeu mais de 250 eventos, entre eles, shows internacionais como Ozzy Osbourne, Black Sabbath, Pearl Jam, Aerosmith e outros.

Steven Tyler, vocalista do Aerosmith, em Belo Horizonte (Foto: Thais Pimentel/G1)

Steven Tyler, vocalista do Aerosmith, em Belo Horizonte (Foto: Thais Pimentel/G1)

Esses shows movimentam o comércio do entorno com a maior circulação de pessoas que, nem sempre, frequentam a região da Lagoa da Pampulha.

“Por causa da esplanada, tem evento quase três vezes por mês, e isso traz clientes para cá. Acho que com os novos shows vem muito mais turista para cá”, disse Vicente Eugenio de Moraes, gerente de uma churrascaria.

Uma comerciante disse que o novo Mineirão promoveu também uma valorização do entorno. Muitos turistas visitam a Avenida Abraão Caran, via com comércio ao lado do estádio, em busca de hotel.

“Valorizou muito a área. (…) Tem atraído mais turistas. Já entrou gente aqui querendo saber se aqui é hotel para ficar perto do estádio”, disse Marinalva Bento Pereira, funcionária de um edifício comercial na região.

O aumento do número de ônibus circulando na região também chama a atenção destes lojistas. Agora, eles disseram que mais coletivos são vistos no entorno.

Ficou na mesma

Os comerciantes ouvidos pelo G1 são unânimes ao dizerem que a segurança da região não foi muito afetada pela mudança do estádio. Eles disseram que não está mais seguro do que antes da Copa do Mundo de 2014, mas também não ficou mais inseguro.

A arena, inaugurada em 5 de setembro de 1965, recebeu a seleção mineira e o River Plate, da Argentina, como primeiro jogo. O placar ficou 1 a 0 para os mineiros.

Estádio palco de muitas glórias, o Mineirão ficou “marcado” após o 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil, na Copa do Mundo de 2014. A derrota representou a desclassificação da seleção brasileira da competição.

Nesta copa, o Gigante da Pampulha ainda recebeu Costa Rica x Inglaterra (0 a 0), Brasil x Chile (1 a 1), Argentina x Irã (1 a 0), Colômbia x Grécia (3 a 0) e Bélgica x Argélia (2 a 1).

* Contribuiu para esta reportagem Marcella Gasparete.

O jogador Oscar (e), da seleção do Brasil, ao lado do alemão Lahm, desaba e chora ao final da partida entre Brasil x Alemanha onde a equipe brasileira foi goleada por 7 a 1 no Estádio do Mineirão, pelas semifinais da Copa do Mundo 2014. (Foto: Estadão Conteúdo/Arquivo)

O jogador Oscar (e), da seleção do Brasil, ao lado do alemão Lahm, desaba e chora ao final da partida entre Brasil x Alemanha onde a equipe brasileira foi goleada por 7 a 1 no Estádio do Mineirão, pelas semifinais da Copa do Mundo 2014. (Foto: Estadão Conteúdo/Arquivo)

Via: globo

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