Uma auditoria independente conduzida pela empresa Infinito Mare apontou níveis considerados alarmantes de contaminação na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, área reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. O estudo, realizado ao longo de três meses, utilizou equipamentos flutuantes tecnológicos, conhecidos como caravelas, que monitoraram a água para detectar a presença de metais pesados, pesticidas, óleos lubrificantes e micro-organismos. Os resultados foram apresentados em audiência pública na Câmara Municipal de Belo Horizonte, nesta segunda-feira.
O levantamento identificou a presença de mais de 15 tipos de metais, entre eles alumínio, titânio, zinco e cobalto. Entretanto, o dado mais preocupante envolve o lantânio, mineral considerado raro e não natural no ambiente brasileiro. Segundo o relatório, a concentração desse elemento na Lagoa da Pampulha é 3,85 milhões de vezes superior aos limites internacionais considerados seguros.
A auditoria aponta que o lantânio teria entrado no ecossistema por meio do produto Phoslock, utilizado há mais de uma década no processo de tratamento das águas, em parceria entre a Prefeitura de Belo Horizonte e o Consórcio Pampulha Viva. De acordo com a empresa responsável pela auditoria, o composto estaria se acumulando no fundo da Lagoa da Pampulha, contribuindo para o assoreamento e representando potenciais riscos à saúde humana, aos animais e à biodiversidade local.
Durante a audiência, o vereador Braulio Lara (Novo), que solicitou o debate, reforçou a gravidade da situação: “Estamos estocando lantânio na Pampulha, e isso é algo extremamente sério. Trata-se de um metal pesado aplicado ao longo dos anos, sem fiscalização adequada”, afirmou.
Especialistas presentes destacaram que o uso prolongado do Phoslock, associado à ausência de monitoramento ativo, teria transformado a lagoa em um ambiente de acúmulo tóxico. Eles defendem que a recuperação da qualidade da água só será possível por meio da combinação de tecnologias de tratamento, com participação articulada entre universidades, empresas ambientais, Copasa e órgãos públicos.
Em nota oficial, a Prefeitura de Belo Horizonte afirmou que realiza o monitoramento contínuo da Lagoa da Pampulha, em parceria com órgãos ambientais estaduais e federais. A administração municipal também afirmou que os indicadores atuais se encontram compatíveis com a Classe 3, que permite uso paisagístico e recreação de contato indireto.
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